domingo, 7 de agosto de 2011

The Only Exception

Olá minhas queridas – e poucas – leitoras. Sinto dizer que meu amado e problemático computador resolver sumir com todas minhas histórias. Por tanto, ficarei um tempo sem postar “Uma Estranha Vingança”. Mas, para compensar, vou postar “The Only Exception”, uma história com um só capítulo e sem personagens famosos. Espero que gostem.

The Only Exception
Me desculpe.
Depois de todo esse tempo com a Anna, isso é tudo que eu posso dizer a ela? Duas miseras palavras que não representam nada do amor que um dia eu senti? Não, “me desculpe” não é suficiente.
Me desculpe.
O problema não é você, sou eu.
Ótimo, um cliché! É óbvio que o problema não é ela nem sou eu. O problema é nosso. Nosso... que triste saber que a única coisa que  ainda compartilhamos de verdade é um problema... Assim também não está bom.
Me desculpe.
O problema não é você, sou eu.
Eu não tenho culpa se você não é mais como quando te conheci.
É claro que tenho culpa! As pessoas mudam quando convivem com outras.
Me desculpe.
O problema não é você, sou eu.
Eu não tenho culpa se você não é mais como quando te conheci.
É que eu não sou mais como antes.
Claro que não! Ela me mudou. Me tornou uma pessoa melhor que antes. Aliás, tudo – ou quase tudo – o que sou hoje, devo a ela. Voltando a escala zero.
Me desculpe.
O problema não é você, sou eu.
Eu não tenho culpa se você não é mais como quando te conheci.
É que eu não sou mais como antes.
Olha... eu nem sei porque comecei a escrever isso, mas
Ótima pergunta: qual o objetivo desse bilhete?
Simples: eu não tenho coragem de fazer isso pessoalmente. Sou um covarde.
Quando era criança, sempre me diziam que “homem não chora”. Acontece que, quando minha mãe disse que a meu pai que não o amava mais, ele chorou. Nesse dia, prometi nunca amar, pois não queria partir meu coração como meu pai fez. Mas eu não sou ele.
Me desculpe.
O problema não é você, sou eu.
Eu não tenho culpa se você não é mais como quando te conheci.
É que eu não sou mais como antes.
Olha... eu nem sei porque comecei a escrever isso, mas
O que eu estou fazendo?
Mantendo uma distância confortável. Não posso dizer que a solidão me deixou aborrecido. E agora, me sinto sufocado, completamente sem ar.
Duas palavras são realmente as melhores agora. Só preciso ir antes que Anna chegue.
***
Ao chegar em casa, não encontrei Declan. Passando pela sala, vi vários papéis espalhados pela mesa de centro, e outros amassados, jogados no chão próximo à mesa. Recolhi-os e os coloquei dentro de uma sacola. Se bem conheço Declan, ele vai procurar feito louco um deles, no qual vai estar sua melhor ideia para a manchete de seu próximo artigo.
Fui para o quarto guardar os papéis na gaveta que deixei livre para esse fim. Acabei tropeçando no gaveteiro da cama, que estava estranhamente aberto. Meu coração parou por um instante, ou bateu tão rápido que sequer o senti. Tentei me acalmar. Declan deve ter errado a gaveta, e sua mala continua no mesmo lugar. Não, não está.
Ele viajou sem me avisar? Ou foi... Não, não pode ser.
Tentei ligar para o celular dele, mas ele não me atendeu. Tentei a redação, mas ele também não estava lá. Pelo menos não para mim.
Joguei minha cabeça no travesseiro e o cheiro dele me fez chorar ainda mais. Tão fortes eram os soluços que demorei a perceber que havia um barulho vindo da cozinha. Sequei as lágrimas e fui até lá. Encontrei jogada sobre o sofá, uma nota fiscal de uma lavanderia, cuja descrição de serviço é a troca de um zíper. Não dei muita importância para aquilo, coloquei no mesmo lugar e fui em direção ao som. Declan vasculhava as gavetas à procura de algo.
- Esqueceu alguma coisa?
Me assustei quando ouvi a voz de Anna. Não era para ela estar em casa ainda. Tentei esconder meus embrulhos atrás das costas, mas não tive tempo de guardar o bilhete que escrevi para ela. Anna viu meu olhar apreensivo para o pequeno papel sob a bancada, e o pegou.
- Por favor, Anna, não leia isso! – implorei.
- Você não vai me deixar saber pra onde você está indo? – perguntei enquanto abria o papel lentamente, fingindo tranquilidade.
Casa comigo?
Fiquei atordoada. Aquela era a letra de Declan, escrita com a caneta preferida dele. Olhei, com uma interrogação no rosto, para ele. Me deparei com um sorriso torto, meio envergonhado, e um pequeno buquê de botões de rosa.
- Eu estava procurando um fitilho, para prendê-lo às flores... – disse, apontando para o bilhete. Não sabia o que Anna pensava, sua expressão não dizia nada, muito menos sua boca. Respirei fundo e peguei o outro embrulho, uma caixinha de veludo preto, e o abri. Estava nervoso demais para falar, então, só me ajoelhei e repeti as palavras do cartão – Casa comigo?
O sorriso de Anna seria resposta mais que suficiente para mim, mas antes que pudesse me levantar e toma-la em meus braços, ela se abaixou.
Ter Declan como “namorido” durante mais de um ano era muito para mim. Sei que ele nunca ficou tanto tempo com a mesma mulher e... agora ele estava ali, aos meus pés, me pedindo em casamento. Nenhuma palavra sairia de minha boca, mas um sorriso não era suficiente. Me ajoelhei e, praticamente, me joguei sobre ele, beijando-o. Depois, ficamos deitados no chão da cozinha, abraçados. Levou alguns minutos até minha capacidade de falar retornar.
- Tem uma coisa errada nessa história.
- O que, meu amor? – Não estava preocupado. Depois que nossos lábios se encontraram, pude sentir que Anna me amava tanto quanto eu a amo.
- Pensei que você nunca fosse se casar. Eu sou uma exceção?
- Não, você não é a exceção. Tudo o que não diz respeito a você é. Você é a regra.
E, como não podia deixar de ser, as palavras que disse antes de perder o fôlego novamente são duas. As duas palavras mais certas para se dizer nesse momento, as duas palavras que eu mais irei repetir na minha vida.
- Te amo.

Fim

Deise Guimarães
Maio de 2011
Baseado na música “The Only Exception”, Paramore.
Nomes e imagem, extraído do filme “Leap Year”, Universal Films.

3 comentários:

Bazinha... S2... disse...

Amiga, como sempre: mandou ver!
Eu só não chorei, porque fui interrompida por uma luzinha laranja piscando e me irritando... Mesmo assim, amei... De verdade!
Beijos...♥
BahChris

Ruh disse...

Concordo com a Bah! Essa história é simplesmente linda! amei amei amei!!!
quero ler a sua web, faça o favo de achar tá?!
bjks, te amo muito, viu?!
não desanime, pior que eu não fica! asahshusahuas

Mandi *-* disse...

A historia ta perfeita! Muito fofa!
Acho que eu ainda nao te disse isso, mas voce escreve muito bem!
:)
Beijos

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