domingo, 10 de julho de 2011

Capítulo 2

Oi pessoas felizes! Ao menos espero que estejam, pois tenho ótimas notícias! Creio que sejam ótimas notícias pra vocês, porque para mim são.
Acontece que finalmente e espero que eternamente, ou por um bom tempo, no mínimo meus problemas com internet e, consequentemente, com as postagens, acabaram. Por tanto, postarei pelo menos uma vez por semana, mas sem um dia definido mas as maiores possibilidades estão cotadas ao domingo. Para compensar a baixa frequência, prometo postar capítulos bem grandes (quase) sempre. E fãs Nelena, não se preocupe: continue lendo, que Selly e Nick já vão aparecer.
Então? Felizes ou não? Espero que estejam gostando de Uma Estranha Vingança, pois eu amo escrevê-la pra vocês. Bom, na verdade eu estou tanto reescrevendo quanto escrevendo esta web. Lembram-se? Ela é baseada em dois livros que li. A história deles é muito legal, mas a forma do autor escrever e as situações que ele descreve, principalmente, não me agradaram muito. A princípio, Uma Estranha Vingança seria destinada apenas às minhas amigas, pois queria que elas conhecessem a história sem precisar passar pelas mesmas situações que eu. Mas ficou tão diferente e a história é tão interessante que não resisti, e aqui estou eu postando o segundo episódio. Bom, chega de falar, né?! Vou apenas responder seus comentários e vocês poderão ler. Beijos! }¡{
DICA: Para que o layout seja preservado, sugiro que instalem as fontes que mais uso para essa web: “Kabel Bk BT” & “akaPotsley”.
Presente de férias: Querem ler “The Only Exception”, minha primeira miniweb anônima (história curta, sem personagens conhecidos)? É simples. Caso esse e os próximos 2 capítulos (2, 3 & 4) receberem 10 ou mais comentários de pessoas diferentes, eu publicarei The Only Exception no dia 31 de julho, como um post especial de fim de férias. Mas atenção: selos, pedidos de divulgação e comentários de pouquíssimas palavras (como “posta!” e “posta logo!”) não valem! Caso o descrito acima não aconteça, quando houverem cinco capítulos seguidos com 10 comentários com as mesmas condições, o post especial será publicado.

Respondendo aos comentários:
Bazinha... S2...: Que bom que “amou, amou, amou” amiga! Eu sei como isso é difícil, e prometo fazer o mesmo (ainda não li o final!): seremos duas curiosas, combinado?! Mas se você não resistir, como eu resistirei? Beijos!!!
G.: Duas vezes obrigada! Espero que goste deste capítulo também. Beijo!
Lethicia: Obrigada’s e postado! Beijinho!
. ana: Obrigada! Beijo.
IS.: Obrigada!



Capítulo 02
Annie se levantou na manhã seguinte, com a sensação de ter dormido bem e profundamente. Estava enrolada nos lençóis e coberta com a colcha. Recordava ter sonhado algo… Nossa! Tocou seus lábios. O beijo… o homem... E estranhamente estava enrolada no lençol, tal como sonhava ter feito antes de abrir a janela para ele. Mas isso não era possível! Mesmo não estando acostumada a ter sonhos tão reais, ela tentava se convencer que a noite passada não era mais que isso. A porta-janela do terraço estava fechada, evidenciando que pelo menos sonâmbula ela não era, e agradecia muito por isso. Tampouco havia indícios de que alguém tivesse pisado no terraço ou na varanda; nenhuma telha quebrada, nada fora do lugar. Tudo estava normal. Então porque tinha a sensação de que algo muito importante tinha acontecido?

Depois de toda a manhã tentando concentrar-se nas tarefas mais simples, Annie se deu por vencida: era um caso perdido de distração crônica. As imagens de seu sonho se repetiam cada vez mais rápida e furiosamente em sua cabeça: a mulher que se parecia com ela, o homem que a amava essa mulher, seu irmão, seu pai… Pessoas que não conhecia, mas que tinha a sensação de conhecer por toda a vida. Sentando-se no sofá, pegou um caderno e escreveu tudo o que recordava do sonho. Mas tudo, de uma forma ou outra, se relacionava ao homem de olhos verdes.

Poncho embarcou no avião, mas continuava desconcertado. Logo que saiu do quarto de Anahí, se pôs a caminho do aeroporto. Pagou uma pequena fortuna pela passagem de primeira classe de um homenzinho quando se inteirou de que não havia nenhuma disponível para o próximo voo. Tinha embarcado às cinco e meia da madrugada, e, com um pouco de sorte, não teria que aguentar o nascer do sol. A pesar de sua aversão em viajar de dia, sentia que era absolutamente necessário afastar-se de Annie o mais rápido possível. Durante todos esses anos, tinha buscado vingança. Mas não parou para pensar muito nas consequências, nem nunca chegou sequer imaginar que Elisa ainda o afetava. No entanto, não podia enganar-se: não era em Elisa que esteve pensando quando beijou aquela mortal, e sim em Anahí. Estar com ela foi tão bom, perfeito. Nunca havia se sentido assim, nem mesmo quando era mortal. Nem mesmo com Elisa.
Horas depois, já estava longe muitos quilômetros. Já se situava na mansão de Nicholas, protegido sob seus poderes. Mal atravessou as portas da imensa casa e pode sentir: o imortal estava em casa.
Sabendo onde estaria seu amigo, se encaminhou à biblioteca que ocupava quase todo o andar térreo. Nick, que estava sentando em uma poltrona, sorriu um pouco ao ver Poncho se aproximando. O sorriso de Nick não chegava a seus olhos, frios como cubos de gelo. A única emoção que afetaria aquele olhar, Poncho sabia, era a raiva. E ninguém quereria ver Nick zangado, não se quisesse continuar vivendo para contemplar um novo dia.
- Você a encontrou, não é mesmo? – Nick já sabia a resposta, mas perguntou assim mesmo.
- Sim. – confirmou Poncho, sentando-se em uma poltrona próxima à do amigo – Encontrei-a. É ela, mas ao mesmo tempo não é. Parece uma moça simples, quase uma menina. Não chega nem aos vinte e cinco anos. - Poncho duvidou - e não sabe nada do que fez.
- Mas se lembrará! – respondeu Nick. – Você sabe tão bem quanto eu que ela o fará.
Poncho fechou os olhos enquanto recordava as palavras que a velha cigana havia pronunciado há tanto tempo...
“Nasceu para amar, e por amor morreu. Aquilo que aquecia seu coração mudou agora para ódio. Mas seu destino se fará esperar, pois não alcançará seu fim nesta vida. A mulher que esperas ainda não nasceu. Quando o fizer saberá, pois é seu destino se encontrar de novo com ela. Quando a olhar verá passado e presente, estará em suas mãos escolher seu futuro.”

- Você sabe que nunca aprovei essa obsessão por voltar a encontrá-la.
- Nick… Sabe tão bem quanto eu que, se algo me manteve vivo, foi a ideia de encontrá-la.
- Nos primeiros anos, sim. Mas já se passaram duzentos anos. Ainda não encontrou nada pelo que viver?
- Claro que sim. Quero conhecer o mundo, ver tudo o que nunca nem pude imaginar. Já que estou preso nessa “vida”, não vou desperdiçá-la.
- Tem que tomar cuidado. – advertiu Nick, com a frieza corriqueira.
- Por quê? Uma simples mortal não pode me machucar.
- Já devia saber que não deve subestimar o perigo – disse secamente, quase zangado – venha da fonte que vier, inclusive dos mortais. Mas não acredito que sua pequena mortal ofereça mais perigo que o de distraí-lo.
- Me distrair?
- Não se deu conta? Começaram de novo. Pensei que era mais perceptivo. Pena que tenha me equivocado.
Outra vez? Agora que parecia que a paz havia voltado…
- Isso é impossível. Acabamos com eles, Estão extintos há um século.
Nick soltou uma gargalhada irônica enquanto se levantava da poltrona e se aproximava do fogo.
- Às vezes me esqueço do quanto é inocente. Acreditava de verdade que não voltariam? Eles sempre voltam. Não há paz para nós, irmão. O máximo que podemos esperar é um pequeno descanso, e teve sorte. Você ganhou um feriado prolongado.
- Voltamos a ser caçados, não é verdade?
Outra gargalhada foi a resposta de Nick ante a tristeza de Poncho.
- Só se quiser. Eu não sou a caça de ninguém - afirmou. - Pelo menos agora não. - continuou em um sussurro tão baixo que Poncho não pôde afirmar havê-lo ouvido. – Além disso, não são mais que neófitos. Não sei quantos bastardos deixamos vivos, mas decidiram voltar a começar.
- Quem os encontrou?
- Nikolai, na Rússia. Um grupo pequeno, quatro caçadores. Mataram sua companheira e ele comunicou tudo antes de se suicidar. Pobre infeliz, podia ter nos dado uma mão... Infelizmente, se houver um grupo de quatro na Rússia, certamente há muitos mais por aqui.
- Quer que eu fique aqui?
- Não estou preocupado com minha segurança. – disse interpretando o que Poncho não havia chegado a dizer. - Estou preocupado com a sua, principalmente se estiver distraído. E você vai voltar para terminar sua vingança, não vai?
- Não tenho outra opção.
- A transformarão em presa se souberem que tem algo a ver com você.
- O que quer que eu diga?
- A verdade.
- A verdade… Transformei você porque apesar de estar com uma bala no peito e a alma destroçada pela traição, continuava querendo viver, continuava se agarrando à vida com todas suas forças. Transformei-o porquê abriu os olhos, olhou-me sem me ver, e sorriu por um momento. - Sacudiu a cabeça como querendo tirar a imagem da mente. – transformei-o porquê foi capaz de amar, e incapaz de trair a quem amasse. E eu nunca deixaria morrer alguém assim. Não enquanto eu for capaz de morrer pelo mesmo motivo.
- Nick…
O vampiro já tinha saído pela porta antes que Poncho pudesse acabar a frase. Mesmo que não tivesse saído, ele não estava seguro do que diria se pudesse terminar a frase. Era muito difícil ver o lado vulnerável de Nick, sempre tão distante, tão frio, tão complexo. Depois de passar mais de duzentos anos convivendo com ele, não sabia nada, nem dele nem de seu passado. Cada vez que algo o tocava, dava um passo para trás e se afastava. Não deixava que ninguém o entendesse.
Poncho fechou os olhos, repentinamente esgotado. Embora pudesse passar acordado uma semana seguida se quisesse, diferentemente dos outros vampiros, ansiava abandonar-se ao doce esquecimento da inconsciência. Mas não podia descansar. Apesar do esgotamento, alimentar-se era mais importante. Já notava o suave puxão da fome nas veias, esse anseio por sangue que não podia adiar. Levantou-se e saiu da biblioteca. Assim como ele, Nick sempre tinha reservas de sangue em algum lugar, se por acaso não pudesse ou não desejasse sair para alimentar-se.
Encontrou-as na cozinha, e sorriu ao ver o contraste entre os dois frigoríficos: um estava cheio de comida normal e comum, comida de mortal; o outro estava lotado de bolsas de sangue, roubadas de um banco. Ainda tinham o logotipo grudado.
Fazendo uma careta, tirou algumas delas e uma taça. O sangue congelado era tão ruim… tão insípido. Uma imagem o atacou: imaginou-se se dobrado sobre o pescoço de Annie, que o puxava para ela, para a veia em que seu pulso palpitava freneticamente… Amaldiçoou quando um ruído o fez voltar para a realidade. Estava apoiado contra a geladeira, com a taça na mão, contemplando-a como um completo imbecil. Suas presas cravadas contra o lábio inferior, totalmente alongadas. Isto tinha que terminar, e tinha que ser rápido. Esvaziou a taça de um gole, sentindo o sabor sensabor do sangue refrigerado. Enxaguou o cristal e o deixou onde estava. Olhou seu relógio, eram às três da tarde. Não queria abandonar ainda o refúgio de Nick, mas se quisesse chegar ao anoitecer… teria que apressar-se.
Um tanto contra a vontade, saiu da cozinha para dirigir-se à porta principal, olhando com nostalgia a imensa escada que levava ao andar de cima, onde seu quarto estaria fresco e confortável, preparado para recebê-lo. Recolheu sua jaqueta na entrada e estava terminando de fechá-la quando a voz de Nick ecoou no hall.
- Não é necessário que se apresse tanto. - disse enquanto descia as escadas. - Posso levá-lo tão logo anoiteça.
- Fala sério?
- Assim saberei onde está caso precise de mim. E sei que vai.
- Virá se o chamar?
- Não me incomodei em manter você vivo duzentos anos para deixá-lo morrer agora, Poncho. Além disso, se estiver certo, vamos precisar de todos, e muito em breve.
- Espero esteja errado - sussurrou Poncho.
- Eu também. Agora, vá dormir. Quando o sol se por, eu te chamo.
Assentindo com a cabeça, Poncho começou a subir as escadas. Ao ver que Nick não subia, parou.
- Não vai dormir? Você não gosta de sair de dia.
- Talvez faça uma exceção. – respondeu sorrindo – Tampouco gosto do “sorvete” que você tomou no café da manhã. E, de dia as pessoas ficam muito mais… ingênuas.
Poncho sorriu e continuou subindo, sussurrando um “bom apetite”. Em seu quarto as cortinas estavam fechadas, evitando que o sol e o calor do verão entrassem. Tomou uma ducha rápida e deslizou entre os lençóis, sentindo-se seguro, em casa.
A última coisa que veio a sua mente antes de dormir foram os incríveis olhos de uma loira, assombrados depois de seu beijo.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Capítulo 01

Respondendo aos comentários:
Bazinha...s2...: Que bom que te convenci! Leia sim, essa web é muito boa (Ruh dizendo). Beijos, amiga. (a Ruh manda beijos também)
De tudo Benhe: Esperou um pouquinho a mais, né?! Desculpe, mas estava meio desestimulada a postar... Mas enfim, o capítulo está aqui, e BEM grande!
Larissa: Ansiosa por junho, né?! Desculpe, mas o capítulo está aqui e bem grandinho, dá para matar as saudades!
Lethicia: Obrigada pelos selos fofos! *-*
Miiikay: Sim, eu amo Sobrenatural, principalmente do Dean ;). Espero que o capítulo sua vontade pela história.
G’ : Obrigada, linda! Amei o selo!

Capítulo 01
O sol acabava de se pôr. Ainda se sentia o calor excessivo que tinha importunado a cidade durante todo o dia, embora a brisa fresca que chegava do mar anunciasse que ia ser uma noite fria.
Alfonso acordou alarmado. Ela estava perto. Depois de dois séculos esperando, podia senti-la novamente.
Olhou pela janela do quarto do hotel. Havia muitas pessoas pela rua, passeando, voltando para casa do trabalho. Poderia ser qualquer cidade do mundo, isso nunca mudaria. Poncho nunca mais teria amigos, família… Não aguentava olhar os “humanos”, sentir-se tão isolado deles quanto um dia foi igual. Mas esta vez era diferente, e não ia deixar que a solidão o distraísse. Esta vez havia alguém escondido na multidão, alguém a quem ele queria encontrar.
Estava na cidade de passagem, antes de reunir-se com Nick em Paris. Havia sido uma enorme casualidade, ou ao menos isso pensaria se acreditasse nelas, encontrar o motivo de sua existência nesse lugar.
Vestiu-se rapidamente logo que baixou o último raio de sol. Enquanto fosse de dia ele pareceria alguém quase normal, exceto pelos óculos do sol que não poderia tirar sob nenhuma desculpa. Mas isso não significava que saísse frequentemente à rua enquanto o sol estivesse alto. Não pertencia à minoria que gostava de sair de dia, com seus poderes minguados e seus sentidos reduzidos a um nível quase humano.
Qualquer um poderia atacá-lo durante o dia. Bom, qualquer um que soubesse como atacá-lo… E, para começar, tinha que acreditar em sua existência, o que era impossível nesse século.
Saiu do hotel ignorando os comentários da recepcionista a respeito das áreas noturnas da cidade para sair em uma sexta-feira. Deixando-se levar pelo instinto, se aproximou da área histórica da cidade. Era muito tarde para os turistas e muito cedo para os adolescentes. Continuou caminhando até que a viu. Mas não era ela. A jovem que caminhava tranquilamente alheia a sua observação não se parecia em nada com quem devia ser. Sondando sua mente, captou seu nome: Anahí.

Annie voltava para casa depois do trabalho, como em todas as tardes. Sorria enquanto o vento retirava seu cabelo do rosto, refrescando-a depois do calor da cafeteria. O vestido de verão formava redemoinhos em torno de suas pernas enquanto caminhava pelas ruelas da cidade velha. A maioria das pessoas preferia o caminho marítimo para ver o entardecer, assim o centro estava bastante vazio. E adorava essa solidão pacífica do anoitecer.
De repente, sem nenhum motivo, se sentiu observada. Lutando contra o impulso de começar a correr, se virou para trás a fim de averiguar a causa da repentina sensação. Não havia tal causa: a rua estava deserta, as janelas estavam fechadas. Continuou seu caminho, dizendo-se que era apenas uma sensação, uma estúpida sensação que passaria em dez minutos se a ignorasse. Seu apartamento ficava ainda a umas cinco ou seis ruas de distância, o que lhe pareceu uma eternidade.
Pensou que era impossível, mas a impressão de ser vigiada aumentou ainda mais. Sentia em sua mente que alguém a olhava.
- Por favor… Quem está aí? - perguntou a beira do pânico - Por favor… por que está me observando?

Poncho se retirou um pouco da mente dela, dando-se conta de que sua presença a transtornava. O choro da jovem o incomodou mais do que deveria, fazendo-o sentir-se mau. Escondeu-se entre as sombras, esperando ela que não o visse.

Nunca houve nenhuma resposta a sua pergunta, embora Annie preferisse assim.
Segurando a bolsa, correu sem parar até que chegou a seu apartamento e fechou a porta com chave. Sentiu-se ridícula, mas o gesto lhe deu segurança. Não podia parar de tremer, assim fez o que o sempre a relaxava: encheu a banheira de água, jogou os sais de banho com aroma de rosas e ficou lá por horas.
Quando saiu, só podia pensar no jantar e no filme que tinha planejado ver essa noite. Algo romântico e agradável para chorar a vontade. Daquela vez, suas amigas não insistiram em sair na sexta-feira… e com um pouco de sorte também poderia ficar em casa no sábado, com um bom livro entre as mãos.
Pôs alguns pedaços de pizza para esquentar enquanto vestia uma roupa folgada e confortável. Encolheu-se no sofá com a comida requentada em seus joelhos, e deu play.

Poncho apareceu no balcão da humana. Ela estava dormindo encolhida no sofá enquanto os créditos de um filme terminavam de passar na tela em frente dela.
Tinha-a encontrado depois de tantos anos, mas tudo nela havia mudado. Seus cabelos já não eram ruivos, e sim loiros escuros. Sua pele já não era branca, tinha um tom dourado que só se conseguia passando tempo sob o sol. Respirava pausadamente envolvida em um roupão branco que deixava descobertas suas pernas e os pés descalços.
Como tinha mudado tanto? Aquela mulher e ele tinham uma relação, ela despertara seus sentidos. Mas não era a mulher a quem queria vingar-se. Anahí não parecia a mesma mulher que o destruiu.
Ficou olhando-a através do vidro, enquanto ela continuava seu pacato sonho. Normalmente os seres humanos nunca detectavam sua presença, mas ela o percebeu e pôs-se a correr, refugiando-se inconscientemente no único lugar em que estaria a salvo dele. No momento.
Não gostou que ela o temesse dessa forma, que tivesse reagido fugindo ante ele. Franziu o cenho ante esse pensamento. Se ele vivia para vingar-se, o terror da jovem tinha que lhe dar alguma satisfação, e não fazê-lo sentir remorsos. Mas em vez disso, se sentia como se tivesse feito mal a uma menina, assustando-a sem motivo.
Voltou a contemplá-la. Imersa em seu sonho estava realmente bonita. Algo se rebelou em seu interior ante a idéia de machucá-la, mas ignorou. Disse-se que não importava, que já tinha ocorrido isto com ele antes e que saberia com agir. “Poderei resistir”, pensou enquanto olhava fixamente a curva de seu rosto, os lábios entreabertos em uma ameaça de sorriso e os cabelos bagunçados. Sentiu uma irresistível vontade de abraçá-la.
Apoiou as mãos contra o vidro do terraço, sabendo que estava proibido de entrar até que ela autorizasse, sabendo também que se o visse grudado a sua janela a meia-noite ia levar um susto de morte. Chamou-a mentalmente, despertando-a. Ela mexeu-se entre as almofadas e seu cabelo saiu de seu rosto, deixando os lábios ainda mais a mostra. Um imenso desejo de beijá-la atravessou Alfonso, deixando-o desconcertado. Tinha que manter o foco ou acabaria entrando, mesmo contra as normas.
Annie despertou com a sensação de ter dormido muito tempo. Durante um tempo, se sentiu totalmente desconcertada ao ver que não estava onde deveria: sua cama.
Em seguida, recordou o filme que tinha tentado ver e que, evidentemente, teria que suspender para outro dia. Seu relógio indicava que passava da meia-noite.
Saiu da sala em direção a seu quarto, suspirando com antecipação quando viu sua cama coberta com o suave edredom de plumas. Desamarrou o roupão e deslizou entre os lençóis, acolhendo com um calafrio o frescor do cetim sobre sua pele nua. Não demorou nem um minuto para adormecer, e menos ainda para começar a sonhar, embora “sonho” não seja a palavra mais adequada. Em seu pesadelo, “ela” sorria enquanto um senhor atirava em um jovem de pele dourada, olhos verdes e cabelos compridos.  Elisa, como “ela” se chamava, nada fazia para impedir o homem que, ela não sabia como, sabia que a amava. Annie via aquela mulher ruiva, de olhos negros e um pouco mais baixa que ela e sentia que ela era ela, ou seja, Elisa e Annie eram a mesma pessoa.
De repente, Annie acordou, ouvindo uma leve batida na janela.
Ela ameaçou levantar-se da cama, mas estava nua e no balcão havia inequivocamente uma figura masculina. Assim, se envolveu nos lençóis e foi até a janela. E ali estava ele.

Poncho ficou completamente surpreso quando ela o viu, apesar de estar utilizando quase todo seu poder para manter-se oculto. Queria que ela ouvisse o ruído e abrisse a janela, um convite mudo, sem vê-lo. Agora tudo tinha ido água a baixo... Como tinha driblado suas defesas? A surpresa aumentou ainda mais quando viu Anahí estirar os braços e abrir as portas do terraço, convidando-o a entrar em sua casa. Perdendo sua única defesa contra ele.

Poncho não esperou uma segunda indicação. Annie observou fascinada o homem que estava em seu sonho agora à sua frente: sua pele agora parecia muito mais branca e fina, seus olhos que brilhavam como esmeraldas, os cabelos espalhando-se em cachos até a altura do ombros, a barba por fazer... Tudo a deixou encantada.
Poncho estendeu a mão para secar as lágrimas que ainda estavam no rosto de Annie. Agora, que estava em frente dela, depois de tantos anos, não tinha coragem de destroçar sua vida igual a ela tinha destroçado a dele. Porque ela era e não era Elisa.
- Por que chora?
- Tive um sonho ruim - respondeu Annie, segurando a mão de Poncho entre as suas.
- O que sonhou, pequena?
- Bom… estou sonhando, não é? Porque isto ainda é um sonho, não é verdade?
- Verdade - mentiu ele. – Mas deveria me contar, isso ajudará você a dormir melhor.
- Sonhei que era outra mulher - respondeu Annie. - Sonhei que estava via um homem morrer, um homem que me amava, mas a quem eu não amava. Esse homem… se parecia muito com você, mas foi há muitos anos.
Poncho apertou os dentes, sentindo como suas presas cravavam-se no lábio inferior até que sentiu o gosto de sangue em sua boca. Annie não tinha sonhando, e sim lembrado a traição de Elisa. Não havia engano possível: era ela, mas estava chorando. Não se lembrava de sua traição, mas chorava por um erro que não era dela. Era inocente.
- Você chorou por tê-lo enganado? - perguntou bruscamente.
- Chorei porque me amava e eu o enganava. Porque ele era sincero e eu não. Sabe... – disse, com um sorriso triste em seu rosto - sempre quis que alguém me amasse assim, tão completamente quanto ele o fazia. Nunca estive apaixonada, mas sempre desejei poder amar alguém e ser correspondida. Mas nesse sonho… brincava com o amor. E não gostei de mim. - Não queria machucá-lo.
Ficou olhando o homem em seu quarto, completamente séria. Ele devolvia seu olhar com a mesma seriedade, sem nenhum indício de ternura ou cumplicidade. Seu rosto era uma máscara de indiferença.
- Nem sequer sei por que estou contando isto a você. Não disse isso a ninguém... – suspirou – Ainda bem que isso é só um sonho, se não morreria de vergonha...
 - Não é vergonhoso desejar ser amado – respondeu ele em um sussurro.
- Nem amar. – completou ela.
Poncho parecia deprimido, triste, e Annie desejou poder fazer algo por ele. Queria abraçá-lo, mas se conformou em por uma mão na face dele e acariciar a maçã de seu rosto. Com esse simples gesto, Poncho estremeceu-se. Logo, como em câmara lenta, ele a atraiu contra si e a beijou. Seus lábios estavam tão frios e suaves como mármore vivo. Ela o rodeou com os braços e correspondeu ao beijo dele enquanto enterrava os dedos nas ondas escuras de seus cabelos, que eram tão suaves como prometiam. Enquanto isso, as mãos de Poncho a aproximava mais dele.
A frequência cardíaca de Annie aumentou, deixando Poncho tentado a cravar suas presas no pescoço delicado dela. Pela primeira vez em muito tempo, Poncho sentia por uma mulher muito mais que apenas desejo.
Então se lembrou: aconteceu o mesmo com Elisa. Poncho a tinha amado, mas errou. Completamente. E agora não voltaria a cometer esse mesmo engano. Podia ser que tivesse mudado, mas continuava sendo Elisa, embora disfarçada de moça inocente. Não cumpriria sua vingança ainda, mas estaria esperando. Esperando que sua verdadeira personalidade surgisse para poder, enfim, realizar a vingança que, por mais de dois séculos, planejou.
Reunindo de novo seus poderes desapareceu do quarto, ao menos para os olhos de Annie. Esta vez não pôde encontrá-lo, apesar de está a menos de um metro.
Ofuscando a mente dela, voltou a colocá-la em sua cama, cobrindo-a com o edredom enquanto ela voltava a dormir profundamente. Certamente pensaria que tudo tinha sido um sonho e ele não tinha motivos para preocupar-se.
Não resistiu em tirar uma mecha loira do rosto de Annie, e quase a acordou novamente.
Valendo-se de todo seu autocontrole, saiu de novo ao terraço, fechando a vidraça detrás dele, sabendo que poderia voltar quando quisesse.
Agora Annie não poderia escapar dele.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Nova História!

Que bom que vocês gostaram de “My Love of the Past”! Amei os comentários!
E, já que vocês não enjoaram de mim, a próxima web vai começar em breve...

Uma Estranha Vingança

Essa história nada tem a ver com Edward ou Bella, a não ser a existência de vampiros. Na verdade, entre os livros de Stephenie Meyer, meu favorito é “A Hospedeira” e, em relação à série Crepúsculo, prefiro os livros aos filmes (exceto nas partes onde Jacob Black aparece...). O sobrenatural (não necessariamente vampiros) me fascina, por isso essa história existe (e por isso eu AMO a série Sobrenatural).
Na verdade, essa história não é tão minha, pois é baseada em alguns dos muitos livros que li, mas que não são, valendo-me de um eufemismo, muito legais...
Suas personagens principais são os “vampiros” Alfonso e Nicholas e as “humanas” Anahí e Selena. Eu sei que vocês devem estar cansados de webs de vampiros, mas, mesmo assim, espero que gostem! (Inclusive você Bah! Não tenho culpa se a Ashley é a Alice!)
Previsão de postagem do primeiro capítulo: primeira quinzena de maio de 2011. Até lá, fiquem com o prólogo de “Uma Estranha Vingança”.


Prólogo
1759
Alfonso abriu os olhos, sentindo o sangue correr cálido por seu peito. O tiro não tinha roçado o coração, mas a ferida era mais que suficiente para matá-lo, e o momento não demoraria a chegar. A cada respiração ficava mais difícil manter-se consciente, mas continuou lutando enquanto amaldiçoava aquele desejo desesperado que o impedia de abandonar-se nos braços da morte. Uma parte dele continuava esperando que ela aparecesse, o beijasse e dissesse que tudo era um engano e que o amava.
A neve ao seu redor estava tingida de vermelho, o aroma do sangue não demoraria a atrair aos lobos. Esse mesmo frio era o que o mantinha consciente, mas não continuaria assim por muito tempo. Sua visão começou a falhar rapidamente, e fechou os olhos para conter as lágrimas que se acumulavam neles ao compreender a dimensão de seu erro. Mas agora já era muito tarde.
Uma estranha paz o invadiu, sentia-se em algo que se assemelhava ao sonho, levando consigo todo sinal de dor. Poncho sorriu, dedicando um último pensamento a sua família. Se isso era a morte… não era tão ruim.
A dor voltou, mais forte que nunca, seguida pela satisfação mais intensa que havia conhecido em toda sua existência. Tudo se tornou branco, e logo sua visão retornou.
Estranhamente, as coisas foram se tornado cada vez mais definidas, os contornos mais precisos, as cores mais vivas. E a cima de tudo, um garoto, que aparentava ter não mais que dezoito anos, estava ajoelhado ao seu lado. Tinha os olhos fechados e uma expressão de concentração no rosto. Parecia que estava sofrendo, pois segurava o pulso esquerdo com força.
Poncho quis falar com ele, perguntar quem e o que era, porque o garoto assemelhava-se a um anjo.
Sentindo o aroma do sangue que gotejava pela mão do garotou, Poncho sentiu algo semelhante à fome. O garoto parecia saber disso, abriu os olhos e o olhou.
- Mais? – disse oferecendo o pulso ferido.
Poncho não pensou, e, puxando o braço do garoto para si, se alimentou do sangue que pulsava em suas veias. Este ato não causava asco, como deveria ser.
Não soube quanto tempo passou até que ele retirasse seu pulso e o enfaixasse com um lenço.
- Parece - disse o garoto, que ficou muito pálido - que já basta.
- Quem é você?- perguntou Poncho. Em sua camisa, uma mancha vermelha testemunhava o ferimento, mas não restava nem sinal dele em sua pele. Estava completamente curado.
- O dilema não é quem sou, irmão. - respondeu o garoto – E sim o que sou. E o que você é.
- Não entendo - sacudiu a cabeça - estava morrendo e agora…
- Agora está morto. Nada poderá ferir você outra vez, nem as doenças, nem o tempo, nem as armas humanas.
- Quem é você garoto? Um anjo engraçadinho? – proferiu Poncho, irônico.
- Posso aparentar pouca idade... dezoito anos, no máximo uns vinte, certo? Mas, acredite, sou bem mais velho. – puxou Alfonso para levantá-lo – Muito mais que você. Meu nome é Nicholas, e sou um vampiro. E agora você também é. – sorriu – Bem vindo à família.
 
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